Entrevistas, Artigos e Reportagens
Meio Ambiente

2007, ano I.




Características e Importância de um MANGUEZAL

A imagem de um manguezal sempre passou para as pessoas uma idéia de ambiente sujo e podre, embora sua importância seja muito grande. Mesmo que no passado tenha sido foco de doenças, atualmente os mangues são preservados por constituirem uma rica fonte (de altíssima importância para cadeia alimentar) de alimentos para a fauna e aves marinhas, além de fornecerem uma rica alimentação proteica para a população litorânea.

Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho (conhecido por suas raízes aéreas), o mangue seriba e o mangue branco. As árvores são acompanhadas por um pequeno número de outras plantas, tais como a samambaia do mangue, o hibisco e a gramínea. Uma característica interessante das árvores de mangue é que elas possuem a propriedade de eliminarem sal pelas folhas. Quando vemos um cintilar nas folhas é o reflexo da luz solar por uma gotícula de água com alta concentração de sal, ou mesmo de um minúsculo cristal.
Abaixo vemos a foto de um magnífico exemplar de um "avicenia schaueriana" (mangue-seriba ou seriúba).




Foto feita em 25.08.2007 no passeio do Sincronia para Cações e Mutá/BA


Quanto à fauna, destacam-se as várias espécies de caranguejos que vivem nos fundos lodosos. Fixados nos troncos e raízes submersas das árvores, vários animais filtradores, tais como as ostras, desenvolvem-se alimentando-se de partículas nutrientes suspensas na água. Muitos dos peixes dependem das fontes de nutrientes do mangue. Diversas espécies de aves que se alimentam de peixes e crutáceos marinhos nidificam nas árvores do manguezal.

Por: Claudio J. C. de Carvalho


MATA CILIAR

Introdução

Observando as fotos aéreas do percurso da Expedição do EART “Do Araguaia ao Tocantins”, fica evidente a quase total destruição das matas e florestas.

Núcleo de mata poupado - Estrada TO 010 - trecho Wanderlândia - Babaçulândia

Sob o pretexto de ampliação de atividades agropecuárias, o Brasil foi sendo ocupado e devastado. Desprovido de qualquer técnica de manejo das florestas, a exploração das mesmas foi claramente buscando a madeira, resultando então, fictícias áreas de pastagens, as quais estão abandonadas ao tempo, e passando por processos de erosão com conseqüentes assoreamentos dos rios brasileiros, visto que até as matas ciliares foram suprimidas impiedosamente. Diga-se de passagem, que se toda a área de pastagem do Brasil fosse utilizada realmente para a engorda de gado bovino (mesmo respeitando-se o rodízio de pastos), haveria uma colossal oferta de carne no mercado, derrubando os preços e tornando a atividade pouco atrativa economicamente para os pecuaristas.

A Importância da Mata Ciliar

Em uma bacia hidrográfica encontramos dois ecossistemas: O terrestre e o aquático. A mata ciliar, portanto, favorece o equilíbrio ecológico entre estes dois ecossistemas:

- Regulando a temperatura da água dos rios e lagos, o que favorece a absorção do oxigênio do ar pela água, possibilitando a respiração dos animais aquáticos bem como o desenvolvimento de uma vida microbiológica saudável.

- Fornecendo alimentação para a fauna dos dois ecossistemas. A mata ciliar é a principal fonte de alimentos para a fauna aquática, pois a decomposição de folhas e galhos são as fontes primárias de carbono orgânico para a cadeia alimentar do ecossistema aquático.

Sob o ponto de vista físico, a mata ciliar evita alagamentos e cheias bem como, erosões de solos e assoreamentos de rios.


Foto aérea do Rio Tocantins à jusante de Babaçulândia - trecho assoreado

As constantes cheias em áreas ribeirinhas desprovidas de mata ciliar, portanto, são explicadas com base na pequena capacidade de absorção de águas pluviais pelo solo exposto. Por exemplo, a densidade média de um solo de mata ciliar é cerca de 30% menor que a densidade de um solo de pasto degradado. É fácil perceber que, quanto mais denso for o solo, menor é a sua capacidade de absorção de água. Assim, temos que a capacidade de infiltração de águas pluviais de um pasto degradado é 80 vezes menor (considerando infiltração superficial) que de um solo de mata ciliar primária (nativa).

Com relação aos assoreamentos de rios, os mesmos são computados às quedas de barrancos desprovidos de vegetação bem como, ao arraste de solos por águas pluviais em velocidades de escoamento elevadas em solos densos e, também em solos desprotegidos e em declives.
Tem-se que as perdas de solo por erosão são:

Tipo de cobertura
Perda de solo por
erosão em Kg/ha.ano
Mata Nativa
4
Reflorestamento
40
Pastagem
400
Café
900
Soja
20.100
Algodão
26.600
Adaptado de Bertoni et al ( 1982).


Foto aérea Ilha do Rio Tocantins à jusante de Babaçulândia - Braço do rio totalmente assoreado

Legislação

O Código Florestal estabelece os seguintes limites para a manutenção de mata ciliares:

MANANCIAL
DIMENSÃO DA MATA CILIAR
Rios com largura < 10m
30 m em cada margem
Rios com largura de 10m a 50m
50 m em cada margem
Rios com largura de 50m a 200m
100 m em cada margem
Rios com largura de 200m a 600m
200 m em cada margem
Rios com largura superior a 600 m
500 m em cada margem
Nascentes
Raio de 50 m ao redor
Espelho d’água, lagos ou reservatórios em áreas urbanas
30 m ao redor
Espelho d’água, lagos ou reservatórios em zona rural com área menor que 20 ha
50 m ao redor
Espelho d’água de lagos ou reservatórios em zona rural, com área igual ou superior a 20 ha
100 m ao redor
Espelho d’água de represas de hidrelétricas
100 m ao redor
Por: Claudio J. C. de Carvalho
EUTROFIZAÇÃO de Corpos D'Água

É o crescimento excessivo de plantas aquáticas (macrófitas tais como aguapés) e algas microscópicas, ocasionado pela presença de altas concentrações de nutrientes, tais como nitrogênio e fósforo provenientes, principalmente, do lançamento de esgotos domésticos.

A decomposição de biomassa para o caso de corpos d’água localizado em área de vegetação densa (matas e florestas) também pode ser um fator que propicia a eutrofização, tendo em vista que o produto desta decomposição contém nitrogênio, fósforo e potássio. Neste caso, entretanto, os nutrientes ou a própria biomassa devem ser carreados por águas pluviais para o interior dos lagos, represas ou rios. O aporte de nutrientes também pode ser devido ao assoreamento do corpo d’água, a nível que possibilite o crescimento de densa vegetação e posterior decomposição de biomassa morta. Segundo os processos de autodepuração dos corpos d’água, os lagos e represas são os que mais comumente são projudicados pela eutrofização, pois possuem baixa taxa de oxigenção natural da água. Já os rios, devido a maior taxa de oxigenação, devido a sua velocidade de escoamento e turbulências, bem como a turbidez, raramente são tomados pela eutrofização de suas águas. Cita-se a turbidez como um parâmetro inibidor da eutrofização pois, as plantas aquáticas também realizam a fotossíntese para seu desenvolvimento e, a turbidez dificulta a penetração (propagação) da luz solar na massa líquida.

Os danos e os efeitos da eutrofização são devastadores e altamente prejuducias sob vários aspectos, os quais são:

- Efeitos estéticos – A água se apresenta esverdeada, de aspecto viscoso e com odor desagradável.

Foto feita em 01.09.2007 durante o passeio do Sincronia à Busca Vida.


- Mortandade de peixes e outros animais aquáticos – devido a baixa concentração do oxigênio dissolvido (morte por asfixia), ou por intoxicação devido a formação de compostos tóxicos (por exemplo amônia) na fermentação anaeróbica que se verifica na parte mais profunda da massa líquida. Durante a eutrofização, a redução na concentração do oxigênio dissolvido, além do processo de decomposição aeróbica dos esgotos domésticos, é ainda acentuada com a morte das algas e o consequente desenvolvimento de um processo aeróbico de biodigestão dessa matéria orgânica.

- Odor desagradável - devido as condições anaeróbicas que se desenvolvem principalmente no fundo.

- Assoreamento do lago – assoreamento devido ao acúmulo de material no fundo (lodo da digestão biológica da matéria orgânica).

Caso não haja uma interferência do homem com objetivo de corrigir e eliminar as causas da eutrofização, o lago ou represa pode vir a desaparecer e ser reduzido a um simples brejo ou pântano.

Carvalho, Cláudio José Carneiro Meio ambiente: preservação para o equilíbrio ecológico./Editor:Cláudio José Carneiro Carvalho.--- Salvador—Ba., 2006.

BACIA HIDROGRÁFICA

Bacia Hidrográfica é o conjunto de rios e lagos de uma região localizado praticamente no mesmo plano geográfico, com drenagem (fluxo, escoamento das águas) de um nível mais alto para um nível mais baixo, na mesma direção e para um único local.

Diz-se “divisor de águas” (zonas de dispersão de águas) uma montanha ou alto relevo geográfico que divide as regiões em duas ou mais bacias hidrográficas, alterando a direção de drenagem das mesmas.

Em geografia, as bacias hidrográficas são classificadas de acordo com o tipo de drenagem das mesmas:

- Bacias exorréicas:
Quando as águas drenam direto para o mar.

- Bacias endorréicas:
Quando as águas se perdem nas depressões e infiltrações.

- Bacias arréicas:
Quando as águas acham-se privadas do escoamento superficial.

O mapa mostra um trecho do Rio Amazonas e seus afluentes. É interessante observar a direção oblíqua dos afluentes nos fornecendo a informação do sentido da drenagem.

O mapa acima mostra a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas, cuja extensão permite dividi-la em sub-bacias compostas pelos seus afluentes. Os principais divisores de água que podemos citar são o Planalto Central do Brasil (ao sul da bacia), que força a drenagem para o norte, e a própria Cordilheira dos Andes (a oeste) que impede a drenagem para o Oceano Pacífico. No entanto, para exemplificar, podemos visualizar no mapa, um divisor de águas, dentro de uma mesma bacia. Notemos que o Rio Negro e seus afluentes apenas encontram o Rio Amazonas em Manaus. Isto devido a um alto relevo existente na região, o qual demarcamos com a linha pontilhada.

Sob o ponto de vista ambiental é importante se buscar o conhecimento global do funcionamento de uma bacia hidrográfica, pois cada unidade de contribuição, cada afluente, cada meio hídrico possui sua importância dentro do ecossistema da bacia, seja na manutenção do volume hídrico, seja na produção de nutrientes, seja na manutenção do equilíbrio da fauna. Inclusive, o conhecimento da dinâmica da bacia hidrográfica é fundamental para projetos específicos de combate a assoreamentos.

Carvalho, Cláudio José Carneiro Meio ambiente: preservação para o equilíbrio ecológico./Editor:Cláudio José Carneiro Carvalho.--- Salvador—Ba., 2006.

TARTARUGA MARINHA – A Importância e Necessidade de Proteção

Por ocasião da viagem do Sincronia para Praia do Forte em 12.04.2008, fomos induzidos a produzir esse artigo, indução essa catalisada pela foto abaixo evidenciando a poluição dos mares.

No livro “Meio Ambiente – Preservação para o Equiíbrtio Ecológico”, o autor cita que:

“Ecologia é o estudo das relações dos seres vivos entre si e com o meio ambiente.

Portanto, Equilíbrio Ecológico, é a integração perfeitamente equilibrada entre os seres vivos (Biomas) e o meio ambiente, com total disponibilidade dos recursos naturais para a sutentação desse equlíbrio.

Assim os biomas, que são as partes biológicas de áreas geográficas, ou seja, fauna e flora, apresentam interações perfeitamente em equlíbrio entre si e com o ambiente físico: solo, água e ar:

- Os solos isentos de erosões, sem deterioração por queimadas, com sua umidade natural e fertilidade da camada orgânica de nutrientes naturais para a manutenção das matas ciliares dos rios e suas nascentes.

- As águas, com seu ciclo natural proporcionando a umidade do ar e das florestas, alimentando e mantendo perene os aqüíferos superficiais e subterrâneos.

- O ar atmosférico com ventos, temperaturas e umidades variando sazonal e naturalmente.

- A flora, característica de cada região, florindo e frutificando dentro das variações climáticas normais e segundo cada espécie.

- A fauna com suas populações constantes mantidas em seus “habitats”, sem desequilíbrio dentro da cadeia alimentar.”


Assim, a preservação da Tartaruga Marinha nada mais se busca do que:

- A preservação do banco de dados genéticos, pois é um animal que vive e sobrevive há 200 milhões de anos, possuindo, portanto, importantes dados, não apenas relativos às suas adaptações (casco, nadadeiras, bico / boca) como também uma resposta para a sua permanência no planeta, sem que tivesse sido naturalmente extinta como foram tantas outras espécies animais da Terra.
- A preservação do ecossistema marinho pois, as tartarugas possuem grande importância para o equilíbrio desse ecossistema tendo em vista a sua posição na cadeia alimentar.


Tipos de alimentação das tartarugas marinhas
Espécie de tartaruga
Alimentação
Papo amarelo ou cabeçuda
caramujos, crustáceos e peixes
tartaruga-de-pente
esponjas, crustáceos, caramujos e peixes
tartaruga-gigante ou tartaruga-de-couro
principalmente de águas-vivas.
tartaruga-verde
exclusivamente de algas e grama marinha

Como exemplo, vale ressaltar a importância das tartarugas-gigante ou tartarugas-de-couro para o equilíbrio das populações de águas-vivas nos mares.


click na figura para ampliar

Para a preservação das tartarugas é importante também que mantenhamos os mares limpos pois, assim com outros animais marinhos, as tartarugas são atraídas por objetos claros, cintilantes e em movimentos flutuantes tais como, tiras de plásticos, pequenos frascos, trapos de tecidos ingerindo-os, o que invariavelmente lhes causam a morte.

Deformação do casco causado por um aro de plástico (lixo) que se prendeu quando ainda filhote.

Adicionalmente, com relação à necessidade de proteção das tartarugas, podemos justificá-la através de três fatores inerentes à espécie:
1 - De cada ninho, apenas um (1) ou dois (2) filhotes chegam a idade adulta.
2 - As tartarugas chegam a idade de reprodução (maturidade sexual) aos trinta e cinco (35) anos de idade.
3 - O ciclo reprodutivo varia de dois a quatro anos (a depender da espécie).

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